“A menina sorriu. E abriu a boca em forma de pirâmide.
- Ah, minha filha linda – disse Afonso. Voltou-se para Vírginia: - Dentro em breve ela aprenderá grego e latim, quero que seja a mulher mais culta da terra.
- Coitadinha... – lamentou Otávia enchendo novamente a colher. Delicadamente introduziu-a na boca da criança. – Vocês já imaginaram a maravilha que seria o mundo se ao menos uma quinta parte desses gênios se realizasse na maioridade? Há milênios que os pais se debruçam como fadas sobre os berços e fazem profecias fabulosas. E há milênios a terra prossegue corroída pelo germe humano, que é sempre tão vulgar e medíocre quanto o da geração anterior. Está claro que a gente concorda sempre com os prognósticos sobre os infantes – acrescentou passando o guardanapo no queixo da menina. Deu uma risadinha. – Mas é por gentileza, não é, nenê?”
(p. 122-123)
“Ouça Virgínia, é preciso amar o inútil. Criar pombos sem pensar em comê-los, plantar roseiras sem pensar em colher rosas, escrever sem pensar em publicar, fazer coisas assim, sem esperar nada em troca. A distância mais curta entre dois pontos pode ser a linha reta, mas é nos caminhos curvos que encontramos as melhores coisas. A música – acrescentou detendo-se ao ouvir os sons de um piano num exercício ingênuo. – Este céu que nem promete chuva – prosseguiu atirando a cabeça para trás. – Aquela estrelinha que está nascendo ali...está vendo aquela estrelinha? Há milênios não tem feito nada, não guiou os reis magos, nem os pastores nem os marinheiros perdidos...Não fez nada, apenas brilha. Ninguém repara nela porque é uma estrela inútil. Pois é preciso amar o inútil porque no inútil está a beleza”.
(p. 135)
““Feliz ano novo. Pois sim!...”, sussurrou Virgìnia ao apertar a campainha do apartamento de Letícia. Difícil encontrar um voto mais ocioso, mais formal. Podia se desejar uma tarde feliz, um dia inteiro feliz, no máximo. Mas um ano? Felizes, só mesmo os egoístas, os alienados como Otávia.”
(p. 145)
“O mal está no próprio gênero humano, ninguém presta. Às vezes a gente melhora. Mas passa”.
(p. 149)
“Sim, o mais dolorido é que Otávia sabia. E não fazia nada porque não havia nada a fazer, deixava-se apenas levar, desligada e inerte como aquelas folhas que o vento arrasta. Para onde?”
(p. 195)
“Que pensamentos o alimentavam naquele longo abandono?”
(p. 195)
“Uma grande indiferença, desde que tranqüilidade e indiferença, no fundo, significam a mesma coisa”.
(p. 199-200)
LIVRO CIRANDA DE PEDRA - 1954
sábado, 27 de outubro de 2007
sábado, 20 de outubro de 2007
Lygia Fagundes Telles
" - Que é que você entende por morrer?
A pergunta fê-la vacilar. Levou o polegar à boca e ficou passando a ponta da língua na unha roída. morrer, morrer... Pensou em Isabel, a irmã gêmea de Margarida. Tinha morrido um mês depois da primeira comunhão e todas as alunas do catecismo fora vê-la. Estava vestida de branco, com coroa de lírios de pano no alto da cabeça e um ramo de jasmins na mão. Parecia mais branca e tão satisfeita no seu caixão cor-de-rosa, que ninguém tinha votade de chorar ao vê-la assim. "É a vontade da de Deus", dizia a mãe assoando-se no lenço limpo, nesse dia tudo pareceu-lhe mais limpo e mais calmo naquele porão. Também a morte lhe pareceu uma coisa clara. Simples. Era a vontade de Deus. " E essa é uma vontade forte", pensou. Mas havia a andorinha que sepultara certa manhã numa caixa de sapatos, debaixo do pessegueiro: desenterrara-a alguns dias depois para ver o que acontecera. Aquilo era a morte."
(Ciranda de Pedra - Lygia Fagundes Telles, p. 61, 1954)
A pergunta fê-la vacilar. Levou o polegar à boca e ficou passando a ponta da língua na unha roída. morrer, morrer... Pensou em Isabel, a irmã gêmea de Margarida. Tinha morrido um mês depois da primeira comunhão e todas as alunas do catecismo fora vê-la. Estava vestida de branco, com coroa de lírios de pano no alto da cabeça e um ramo de jasmins na mão. Parecia mais branca e tão satisfeita no seu caixão cor-de-rosa, que ninguém tinha votade de chorar ao vê-la assim. "É a vontade da de Deus", dizia a mãe assoando-se no lenço limpo, nesse dia tudo pareceu-lhe mais limpo e mais calmo naquele porão. Também a morte lhe pareceu uma coisa clara. Simples. Era a vontade de Deus. " E essa é uma vontade forte", pensou. Mas havia a andorinha que sepultara certa manhã numa caixa de sapatos, debaixo do pessegueiro: desenterrara-a alguns dias depois para ver o que acontecera. Aquilo era a morte."
(Ciranda de Pedra - Lygia Fagundes Telles, p. 61, 1954)
segunda-feira, 15 de outubro de 2007
Drugs by children
"A maconha não é tão forte a ponto de deixar a pessoa loca ou bater em outra pessoa ou nela mesma".
"LSD: Ácido Lisérgico - Você cola um adesivo no corpo que faz efeito pela pele. Os efeitos colaterais aparecem de 9 a 10 anos depois".
"Afetalina: É injetada com uma ciringa e é comprada na farmácia".

"Cola de Sapateiro: serve para matar a fome das pessoas que são miseráveis e que não tem dinheiro para comprar comida, compram cola, pois é mais barata e mata a fome".
"Ecstase: É um comprimido azul que deixa você ligadão."

quinta-feira, 11 de outubro de 2007
Georg Simmel
"O aventureiro tem um sentido diferente do tempo, o que implica um forte sentido de presente e uma desconsideração pelo futuro".
"(...) abandonar-se ao destino é fazer o proprio destino".
"Na aventura, entregamo-nos aos poderes e acidentes do mundo, que podem deleitar-nos, mas que também pode destruir-nos".
(Georg Simmel, A Vida Heróica - p. 193 - 1971)
"(...) abandonar-se ao destino é fazer o proprio destino".
"Na aventura, entregamo-nos aos poderes e acidentes do mundo, que podem deleitar-nos, mas que também pode destruir-nos".
(Georg Simmel, A Vida Heróica - p. 193 - 1971)
segunda-feira, 8 de outubro de 2007
Millor Fernandes
"Jogar xadrez desenvolve a mente para jogar xadrez".
(100 Fábulas Fabulosas, de Millor Fernandes - p. 89)
Sem inventar moda né...a vida é simples e gente fica mistificando tudo o que pode. Daqui uns dias tão dizendo que quando a gente morrer a gente vai pro céu...ou pro inferno. Era só o que faltava mesmo. Humpf!
(100 Fábulas Fabulosas, de Millor Fernandes - p. 89)
Sem inventar moda né...a vida é simples e gente fica mistificando tudo o que pode. Daqui uns dias tão dizendo que quando a gente morrer a gente vai pro céu...ou pro inferno. Era só o que faltava mesmo. Humpf!
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